Biocombustíveis a partir de algas: Inovação e adaptação climática

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As mudanças climáticas têm provocado transformações significativas no planeta. Muitas delas prejudicam a viabilidade humana na Terra. Destacam-se a redução das chuvas, o aumento da temperatura ambiente e a perda de inúmeras espécies da fauna e da flora que beneficiam o homem. Além disso, a possibilidade de esgotamento das reservas de petróleo somado ao efeito estufa, têm gerado crescente preocupação em relação ao futuro da matriz energética mundial. Dessa forma, é urgente a busca por fontes alternativas de energia que sejam renováveis e que causem menos impactos ambientais.

Nesse contexto, os biocombustíveis ganham destaque por serem fontes de energia renovável de origem biológica, obtidas a partir da biomassa de organismos vivos. Esses combustíveis podem ser produzidos por meio da queima ou da transformação de materiais orgânicos, como plantas e microrganismos. Estas apresentam um grande potencial para reduzir a dependência dos combustíveis
fósseis. Entre os principais exemplos de biocombustíveis estão o biodiesel, o etanol, o metano, o bio-óleo e o hidrogênio.

Nos últimos anos, a utilização de microalgas para a produção de biocombustíveis tem se mostrado uma alternativa especialmente promissora. Diferentemente de culturas agrícolas tradicionais, como soja e milho, as microalgas não competem com a produção de alimentos, o que representa uma vantagem significativa. Esses organismos apresentam rápido crescimento, elevada
capacidade de produzir e armazenar óleo, e demandam menores áreas além de volumes de água para o cultivo. As algas tem outras vantagens estratégicas pois são biodegradáveis, não contém enxofre e retiram o dióxido de carbono (gás carbônico) da atmosfera.

A partir do sol, água e gás carbônico as algas florescem e favorecem a humanidade. Fonte:
https://pt.linkedin.com/pulse/ficorremedia%C3%A7%C3%A3o-e-o-etanol-de-terceira-
gera%C3%A7%C3%A3o-biotec-oportunidades

As microalgas são organismos fotossintetizantes que vivem, predominantemente, em ambientes aquáticos. Assim como as plantas, utilizam a luz solar para realizar a fotossíntese, convertendo energia luminosa em energia química. Sua biomassa é rica em lipídios, carboidratos, proteínas, vitaminas e outros compostos, o que as torna uma matéria-prima valiosa para biorefinarias
(instalações para produzir energia, combustíveis, produtos químicos e materiais, de forma semelhante a uma refinaria de petróleo), nas quais diversos produtos podem ser obtidos a partir de um mesmo organismo. Em condições adequadas de cultivo, as microalgas podem apresentar crescimento extremamente rápido, sendo capazes de duplicar sua biomassa em cerca de 24 horas.

Fazendas marinhas de produção de algas.

Após a etapa de cultivo, a produção de biocombustíveis a partir de microalgas envolve processos específicos, como a colheita e a extração do óleo. A colheita consiste em concentrar a biomassa presente na água até a formação de uma pasta mais espessa. Esse processo é desafiador devido ao tamanho microscópico das microalgas, sendo o método escolhido dependente de características como o tamanho, as propriedades físicas e a linhagem da alga (DIOGO, 2012).

Extrato concentrado de microalgas. Fonte: Mariano (2013)

Em seguida, realiza-se a extração do óleo, etapa essencial para a produção do biodiesel. Um dos métodos mais utilizados é a prensagem, semelhante à extração do azeite, na qual parte do óleo é retirada diretamente da biomassa. Para aumentar o rendimento, esse processo pode ser associado ao uso de solventes, como o hexano, que permite a extração de quase todo o óleo presente nas algas.

Após a extração, o óleo obtido passa por um processo denominado transesterificação, no qual reage com um álcool, geralmente o metanol, na presença de um catalisador. Como resultado dessa reação, forma-se o biodiesel, juntamente com um subproduto chamado glicerol. Após a separação do glicerol, obtém-se o biocombustível de algas pronto para uso, evidenciando o potencial das microalgas como uma alternativa sustentável para a produção de energia renovável (NEWMAN, 2010).


Atualmente o maior desafio para obter o biocombustível de algas é seu custo de produção. Tal dificuldade só será superada através da inovação tecnológica a ser alcançada pela pesquisa científica. As algas marinhas se posicionam como uma fonte de energia renovável e sustentável, com enorme capacidade de descarbonizar diversos setores do transporte terrestre, naval e aéreo.

Pesquisa para desenvolver tecnologias mais econômicas de produção

Nesse contexto, investir em fontes renováveis como os biocombustíveis de microalgas representa não apenas um avanço tecnológico, mas também um compromisso com a preservação ambiental e com a construção de um futuro energético mais sustentável.

Escrito por Mariana Rangel Conti Rolim


Referências:


SILVA, Jenifer Cristina dos Santos. Uso de microalgas para obtenção de biocombustíveis e potenciais aplicações. 2022. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia do Mar) – Universidade Federal de São Paulo, Santos, 2022.


MORAES, Gisely Souza Campos; SILVA, Messias Borges; MACHADO, Marcela Aparecida Guerreiro et al. Produção de biodiesel a partir das microalgas: revisão. International Journal of Scientific Management and Tourism, Curitiba.


GIANFELICE, Tayla Nayara; RODRIGUES, Mateus Felipe; SILVA, Poliana Martins; MIKALOUSKI, Udson. O biocombustível das algas. OTA, Ana Carolina Mayumi. Revisão sistemática da literatura do potencial de aplicação biotecnológica das algas. 2021.

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