Muito antes de as seleções nacionais cruzarem oceanos em busca da taça mais desejada do futebol, as águas do planeta já conectavam povos, culturas, espécies e civilizações. Os oceanos moldaram rotas comerciais, impulsionaram migrações, deram origem a mitos e sustentaram economias inteiras. A série “Copa dos Oceanos” propõe uma viagem pelas nações participantes do Mundial sob uma perspectiva oceanográfica, revelando como o oceano influencia a história, a cultura, a economia e o futuro ambiental dessas sociedades.

Os mares moldaram civilizações, criaram rotas comerciais, alimentaram populações inteiras e inspiraram lendas que atravessam os tempos. Em muitos casos, foram os oceanos que permitiram o desenvolvimento econômico e cultural de nações que hoje brilham nos gramados do mundo.

https://en.wikipedia.org/wiki/Foreign_trade_of_medieval_Novgorod#/media/File:Novgorod_torg.JPG
Vamos viajar pelos Oceanos Índico e Pacífico para conhecer como os países do oriente, participantes da Copa do Mundo, construíram suas relações com o mar. Entre navegadores, pescadores, cientistas e escritores, descobriremos que cada oceano ofereceu muito mais do que apenas histórias, mas foi capaz de moldar a cultura da humanidade. Nossa jornada começa na Oceania e na Ásia, regiões onde tradição e tecnologia caminham lado a lado em uma relação de profundo respeito pelos mares. Muito antes da existência de mapas modernos, satélites ou sistemas de posicionamento global, os povos da Oceania já navegavam milhares de quilômetros guiando-se pelas estrelas, pelos ventos, pelas correntes marinhas e pelo comportamento das aves.

Klark / HOCVS / Fairmont Kea Lani. Fonte: https://alohaspiritmidia.com.br/expedicoes/encontro-
celebrara-culturas-do-havai-e-da-oceania-em-maui/
Os povos Maori da Nova Zelândia, os antigos havaianos e os povos aborígenes costeiros da Austrália desenvolveram uma das mais impressionantes culturas marítimas da história humana. Para eles, o mar não era apenas um caminho entre ilhas, mas um membro da própria família, um elemento sagrado que
conectava passado, presente e futuro. Com o passar dos séculos, a região transformou esse conhecimento ancestral em inovação. Hoje, Austrália e Nova Zelândia figuram entre os países mais avançados do mundo em monitoramento oceânico, navegação, gestão pesqueira e conservação marinha.

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A Grande Barreira de Corais, considerada o maior sistema recifal do planeta, tornou-se símbolo dessa responsabilidade. Ao mesmo tempo em que desenvolve tecnologia offshore, exploração energética e pesquisas oceanográficas de ponta, a Oceania busca preservar um patrimônio natural que influencia todo o equilíbrio do Pacífico. O resultado é uma rara combinação entre tradição e modernidade: um desenvolvimento tecnológico construído sem esquecer os ensinamentos dos povos que primeiro aprenderam a viver em harmonia com o oceano.

https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/lendas-maritimas-japonesas-e-a-conexao-real-
com-grandes-eventos-sismicos/
Se na Oceania o mar representa conexão, na Ásia ele também representa respeito diante de uma força extraordinária. Japão e Coreia do Sul cresceram sob a influência direta do Oceano Pacífico e do chamado Círculo de Fogo do Pacífico, região marcada por terremotos, tsunamis e intensa atividade geológica. Ao longo dos séculos, essa convivência gerou inúmeras lendas marítimas. Dragões marinhos, espíritos das águas e divindades oceânicas surgiram como formas de explicar fenômenos que, na época, pareciam impossíveis de compreender. Mas o medo nunca impediu o avanço do conhecimento. A pesca tornou-se parte fundamental da cultura alimentar dessas nações. O
oceano passou a fornecer alimentos, medicamentos, cosméticos e matéria-prima para importantes setores econômicos. Atualmente, Japão e Coreia do Sul estão entre os líderes mundiais em monitoramento meteorológico e oceanográfico. Sistemas avançados de alerta para tsunamis, redes de
observação oceânica e programas de educação ambiental fazem parte da rotina da população.

pesqueira asiatica. Fonte: https://share.google/KkAplCpsqKaKn9QS0
No Japão, crianças aprendem desde cedo como agir diante de terremotos e tsunamis. Na Coreia do Sul, a meteorologia tornou-se tão presente na vida cotidiana que inspirou produções culturais populares, demonstrando como ciência e sociedade caminham juntas. Foi feito até um dorama chamado “No Clima do Amor” para mostrar a população sul coreana o quão importante é o
controle climático para a economia do país. Mais do que sobreviver ao mar, esses países aprenderam a compreender sua dinâmica, transformando conhecimento em proteção, desenvolvimento econômico e segurança para milhões de pessoas.

Assim, Oceania e Ásia mostram ao mundo que tradição e inovação não são opostas. Pelo contrário: quando trabalham juntas, tornam-se ferramentas poderosas para construir uma relação sustentável com os oceanos. Durante séculos, as águas do Oriente Médio fizeram parte de algumas das rotas
marítimas mais importantes e cobiçadas do planeta. Por elas circulavam seda, especiarias, perfumes, pedras preciosas e inúmeros conhecimentos que conectavam o Oriente ao Ocidente. Essas rotas ajudaram a moldar economias, culturas e até mesmo a história das grandes navegações. Embora
frequentemente associado aos desertos, o Oriente Médio também possui uma importante história marítima. Países como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã e Iraque desenvolveram suas sociedades ao redor do Golfo Pérsico, do Mar Vermelho e do Oceano Índico. Muito antes da era do petróleo, a pesca, a navegação e a coleta de pérolas sustentavam comunidades costeiras e impulsionavam o comércio entre Ásia, África e Europa. Antigas embarcações árabes cruzavam essas águas transportando mercadorias, culturas e conhecimentos. Atualmente, além da importância econômica ligada aos recursos energéticos, esses países investem cada vez mais em infraestrutura costeira, pesquisa marinha e proteção de ecossistemas sensíveis, demonstrando que o oceano continua sendo um elemento fundamental para seu desenvolvimento. Assim como em outras regiões da Ásia, o mar permanece como uma ponte entre tradição, prosperidade e futuro.

Da navegação ancestral dos povos da Oceania, aos sistemas de monitoramento do Japão e da Coreia do Sul, passando pelas antigas rotas marítimas do Oriente Médio, a mesma lição atravessa séculos de história. Os povos aprenderam a compreender e respeitar o mar conseguiram prosperar ao lado dele. Hoje, as riquezas da região e respectivos cuidados estão acrescidos. Além dos recursos
energéticos que impulsionaram seu desenvolvimento ao longo do século XX, os países do Oriente Médio investem cada vez mais em ciência, tecnologia, infraestrutura costeira e gestão de recursos marinhos.
O mar continua sendo uma fonte de prosperidade para a região. Mudaram-se os produtos, mudaram-se as embarcações, mas permanece a mesma verdade que atravessa séculos. Os oceanos seguem conectando povos, impulsionando economias e construindo o futuro das nações. Mas nossa viagem está apenas começando. Nos próximos artigos, seguiremos para a África e a Europa, continentes que compartilharam algumas das páginas mais complexas da história marítima mundial, marcadas por exploração, descobertas, conflitos e reconstrução. Porque compreender os oceanos é também entender a história da humanidade.
Escrito por: Thais Fonseca Posse
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