Os fitoplânctons são organismos marinhos que vivem na camada superficial dos oceanos, onde a luz solar consegue penetrar, e são a base da cadeia alimentar no mar. Apesar de serem pequenos no tamanho, esses organismos microscópicos também têm grande influência sobre a vida e o clima do planeta. Vamos explicar como isso ocorre. Quando o fitoplâncton está em crescimento, seu metabolismo libera um gás chamado de DMS (Sulfeto de dimetila). Esse gás sobe e se mistura na atmosfera em partículas que ajudam na formação de nuvens.

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É natural que grande parte das espécies de fitoplâncton consigam se reproduzir com maior velocidade em águas mais quentes e com maior incidência de luz solar. Dessa forma, um oceano que ganha calor devido ao aquecimento global, este vai funcionar como um estimulador em grande escala, desencadeando o chamado blooms, explosões de algas microscópicas, que
são as florações planctônicas.
Ao perceberem essa ligação quatro cientistas (Charlson, Lovelock, Andreae e Warren) propuseram a hipótese de CLAW. Segundo ela, quanto maior for a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera somada com a incidência da luz solar, mais o oceano se aquece e tanto mais o fitoplâncton libera o DMS. Quando liberado para a atmosfera, o DMS sofre oxidação em contato com o ar, ajudando assim na formação de nuvens. Nessa etapa, o
DMS reage principalmente com uma molécula radical hidroxila (OH).

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No entanto, a atuação do fitoplâncton na hipótese CLAW constitui apenas a etapa inicial de um processo mais amplo. A produção de DMS ocorre por uma complexa rede de interações tróficas alimentares e transformações microbianas (microrganismos como bactérias, vírus, fungos) no ambiente marinho.
O DMS é produzido a partir de um processo mais complexo que envolve outros
seres do oceano além do fitoplâncton. O zooplâncton, ao se alimentar do fitoplâncton, promove a liberação de dimetilsulfoniopropionato (DMSP) no meio aquático. Em seguida, bactérias marinhas transformam o DMSP em DMS, regulando quanto desse gás que vai para o ar. Essas bactérias podem usar o enxofre do DMSP para crescer ou para liberar o DMS, dependendo do processo metabólico. Dessa forma, as bactérias também desempenham papel decisivo na regulação do fluxo de DMS para a atmosfera.

abs/pii/S0079661123000460
A hipótese de CLAW propõe um ciclo de retorno em que as temperaturas mais quentes aumentam as concentrações de DMS, despejando assim mais aerossóis (partículas finas) de sulfato para a atmosfera principalmente a partir da oxidação do dióxido de enxofre. Como consequência produzem mais núcleos de nuvens contendo sulfato, essenciais para a condensação do vapor d’água e a formação das nuvens. É lógico que com aumento da nebulosidade aconteça uma maior reflexão da radiação solar. O aumento da reflexão dos raios solares acarreta uma menor absorção da energia solar pela atmosfera, redundando assim em temperaturas mais frias, amenizando assim os efeitos do aquecimento global. Este é o ciclo de retorno ao equilíbrio.
As nuvens por refletirem grande parte da radiação solar reduzem a luminosidade e a temperatura da superfície oceânica. Logo, com menos luz e menos calor, o fitoplâncton libera menos DMS, o que leva a uma menor formação de nuvens. Quando a cobertura de nuvens diminui, a radiação volta a alcançar o oceano, recomeçando o ciclo. Essa flutuação provoca um equilíbrio dinâmico que tende a atenuar os extremos climáticos. Através desse processo é possível entender que alterações, voluntárias ou involuntárias provocadas pelo homem na natureza, podem provocar desdobramentos muitas vezes impossíveis de se retornar ao estado anterior devido à intrincada e complexa cadeia de interações que existem no meio ambiente.

Fonte: https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2024/04/04/cientistas-nos-eua-testam-tecnologia-para-rebater-raios-solares-contra-o-aquecimento-global.ghtml
Ainda bem que esse processo funciona como um ar-condicionado natural do planeta, um mecanismo de auto regulação climática, no qual o oceano e a atmosfera trabalham juntos para equilibrar o clima. Contudo o efeito estufa provocado pelo lançamento de gases que causam o aquecimento do planeta está levando para um novo ambiente natural que não comporta a sobrevivência do homem.
As mudanças climáticas têm provocado declínios significativos na biodiversidade, afetando ecossistemas marinhos, terrestres e de água doce. Nesse sentido, o aumento das temperaturas oceânicas eleva o risco de perda irreversível de ecossistemas marinhos e costeiros, com impactos profundos na vida marinha e no equilíbrio climático global.
A hipótese de CLAW comprova como até os menores organismos do oceano
podem ter um papel importante na regulação do clima da Terra. Ou seja, todos
elementos da natureza são importantes para o equilíbrio da vida no planeta. A
redução da biodiversidade diminui a resiliência do planeta contra as oscilações
climáticas provocadas pela ação humana. A biodiversidade é um excelente
indicador e regulador da saúde do planeta.

news.un.org/pt/story/2020/09/1727982
Escrito por Mariana Rangel Conti Rolim
Referências Bibliográficas:
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JUNKES, Valderice Herth; GERMANN, Evelyn; BELINE, Ederaldo Luiz; SANTOS, Jordana Dorca dos; GASQUES, Ana Carla Fernandes. O ciclo do enxofre aplicado à agricultura e à agroindústria. Campo Mourão: UNESPAR. INPO. Conhece o fitoplâncton, esse ser invisível que flutua no oceano produz mais de 50% do ar que respiramos. Disponível em: https://inpo.org.br/conhece-o-fitoplancton-esse-ser-invisivel-que-flutua-no-oceano-produz-mais-de-50-do-
ar-que-respiramos/
ROSATI, Bernadette et al. New particle formation and growth from dimethyl sulfide oxidation by hydroxyl radicals. ACS Earth and Space Chemistry, Washington. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8054244/ . Acesso em: 18 setembro 2025
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Biodiversity. [S. l.], 2024. Disponível em: https://www.un.org/en/climatechange/science/climate-issues/ biodiversity. Acesso em: 28 setembro 2025.
STEFELS, J. et al. Environmental constraints on the production and removal of the climatically active gas dimethyl sulfide (DMS) and implications for ecosystem modelling. Biogeochemistry.
