De acordo com dados fornecidos pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) , as concentrações de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, aumentaram em 50% desde o século XVIII com as atividades humanas. O dióxido de carbono é um gás que acumula o calor, provocando o efeito estufa na atmosfera. O aumento da temperatura em diferentes áreas do planeta pode alterar o padrão da circulação atmosférica e oceânica. A circulação do ar e das águas dos oceanos influencia o espalhamento de nutrientes e do calor. A distribuição tanto do calor como desses nutrientes são essenciais para o equilíbrio e manutenção dos ecossistemas. Mamíferos marinhos como urso polar, focas, golfinhos e baleias dependem de um ambiente estável para reprodução, alimentação e desenvolvimento. Assim, são potencialmente vulneráveis às perturbações causadas pelas mudanças climáticas pois dependem do calor e dos alimentos transportados pelos ventos e correntes marinhas que tendem a mudar.

As mudanças climáticas, por definição, são as transformações de longo prazo nos
padrões de temperatura e do clima. Essas mudanças podem ocorrer de forma natural. Entretanto, as atividades antrópicas como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento estão potencializando essas transformações. Os principais sintomas nos oceanos se refletem no aumento da temperatura da superfície do mar, na diminuição das calotas polares e na acidificação das águas. Os mamíferos marinhos são um grupo bem diversificado, composto por cetáceos (baleias, golfinhos), pinípedes (focas, leões-marinhos), sirênios (peixes-boi, dugongos), lontras marinhas e ursos-polares. Todos dependem do ambiente marinho para sua sobrevivência (Committee on Taxonomy, Society for Marine Mammalogy, 2022). Dessa forma, as transformações no ambiente marinho impactam diretamente nesses animais.

antes do ano 2000. Fonte: Instituto de Mamíferos Marinhos/Universidade Estadual de Oregon.
https://g1.globo.com/google/amp/meio-ambiente/noticia/2024/06/17/mudancas-
climaticas-fizeram-baleias-cinzentas-diminuirem-de-tamanho-aponta-estudo.ghtml
Um exemplo emblemático foi estudado por pesquisadores da WWF (World Wildlife Fund) que documentaram o aumento da mortandade de filhotes de morsas-do-pacífico (Odobenus rosmarus divergens). A redução da área do gelo marinho tem provocado aglomerações atípicas desses animais em praias do Alasca e da Rússia. Esse comportamento aumentou a incidência de eventos de pisoteamento, especialmente entre filhotes, resultando em mortalidades em massa. Foram observadas e registradas centenas de mortes associadas a esse fenômeno nos últimos anos, evidenciando a gravidade do impacto climático sobre a espécie.

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Nesse mesmo contexto, tem-se as focas de gelo, que são geralmente encontradas no Ártico. Estas dependem do gelo marinho por pelo menos parte do ano para descansarem, amamentarem, se reproduzirem e evitarem predadores. Entretanto, o aumento da temperatura da primavera e a quebra do gelo podem forçar o filhote a entrar na água antes do tempo, com risco de causar sua morte por afogamento ou ser morto por predador. Um estudo da NOAA Fisheries apontou a tendência de declínio da condição corporal dessas focas devido, possivelmente, as precárias
condições de alimentação da mãe durante a gestação e amamentação, em decorrência do derretimento acelerado do gelo do Ártico.

Encalhe em Rhode Island. Fonte: MysticAquariumfonte https://www-fisheries-noaa-
gov.translate.goog/national/climate/seals-sea-lions-and-climate-change-shifting-prey-and-habitat-
impacts?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc
O emblemático Urso Polar está atualmente classificado como vulnerável pela IUCN (União Internacional de Conservação da Natureza). A redução de gelo do Ártico devido às mudanças climáticas é a ameaça mais séria para esses ursos de acordo com o impacto previsto (2021-2025) pela IUCN pela sua estreita dependência do gelo. Com a retração de seu habitat, o urso acaba em ambiente terrestre e seus desafios incluem a poluição, conflito com humanos, proteção inadequada das áreas de hibernação e de descanso sazonal.

2025-iucn-ssc-polar-bear-sg-report_publication_r2.pdf
Portanto, é possível afirmar que os mamíferos marinhos estão entre os organismos mais suscetíveis aos efeitos das mudanças climáticas. Dessa forma, torna-se fundamental promover conhecimento através da ciência que possa orientar políticas publicas de proteção e garantir a conservação desses animais. A redução da biodiversidade é o indicador de que menores serão as chances de sobrevivência do homem, no futuro próximo.
Escrito por: Erica F. Dias
Referências bibliográficas:
https://mamiferosaquaticos.org.br/blog/mudancaclimaticasevidamarinha
https://brasil.un.org/pt-br/175180-o-que-são-mudanças-climáticas
https://www.worldwildlife.org/stories/climate-change-puts-the-pacific-walrus-
population-on-thin-ice
