Como fazer o encerramento de plataformas com segurança

Square

Os poços de exploração de petróleo offshore tem vida útil limitada e o volume de óleo produzido tende a reduzir com o tempo tornando-se inviável pois o custo de produção no mar é muito caro. Nesse momento os poços no mar são chamados de maduros.

O fechamento seguro de poços maduros é uma etapa crítica no ciclo de vida da produção de petróleo, que geralmente varia entre 20 e 40 anos. Poços maduros são aqueles que já ultrapassaram seu pico de produção e passam a apresentar declínio acentuado na extração de hidrocarbonetos, tornando-se economicamente inviáveis. Para prevenir riscos ambientais e garantir a integridade das formações geológicas e da superfície, o processo de encerramento deve seguir normas técnicas rigorosas. A aplicação de boas práticas operacionais e tecnologias atualizadas para que o fechamento ocorra de forma segura, eficiente e com o mínimo impacto ao meio ambiente é chamado de descomissionamento.

Figura 1. Desmonte de plataformas de petróleo em alto mar. Fonte: https://eixos.com.br/petroleo-e-gas/ibama-so-tem-um-tecnico-para-acompanhar-descomissionamento-afirma-tcu/

O descomissionamento é a etapa final do ciclo de vida de um poço de petróleo e gás. Trata-se de um processo técnico e ambientalmente controlado. Este tem como objetivo eliminar qualquer risco associado às estruturas utilizadas na extração, garantindo que o local possa ser restituído ao meio ambiente de forma estável. Envolve atividades como o isolamento das zonas produtoras com barreiras de cimento, a remoção de equipamentos de superfície e de subsuperfície bem como o monitoramento das condições do poço após o encerramento das atividades.

Figura 2. Operação de içamento do convés da plataforma de produção offshore Fonte: https://www.bnamericas.com/pt/analise/destaque-o-descomissionamento-offshore-no-brasil

O papel do descomissionamento no contexto dos poços maduros de petróleo é essencial para assegurar que o encerramento dessas estruturas ocorra de maneira responsável e sustentável. Ao impedir vazamentos de óleo, gás e fluidos contaminantes, o processo evita danos ao solo, às águas subterrâneas assim como nos ecossistemas marinhos e terrestres próximos. Além de atender às exigências legais e regulatórias da legislação vigente, o descomissionamento representa uma prática de responsabilidade socioambiental, reforçando o compromisso da indústria petrolífera com a preservação ambiental e a segurança para as futuras gerações.

Figura 3. Remoção do convés de plataforma offshore. Fonte: https://brasilenergia.com.br/petroleoegas/descomissionamento-deve-atrair-r-50-bi-ate-2040/ 

 O processo de descomissionamento de plataformas ocorre em diversas fases, cada uma exigindo planejamento técnico detalhado e cumprimento rigoroso das normas ambientais e de segurança. A primeira etapa envolve o planejamento e licenciamento ambiental, em que são realizados estudos de impacto e são definidas as estratégias para a retirada das estruturas. Em seguida, ocorre a interrupção e tamponamento dos poços, garantindo que não haja vazamentos de petróleo ou gás. A terceira fase corresponde à remoção de equipamentos e estruturas submarinas, como dutos, cabos e manifolds, seguida pela desmobilização da plataforma, que pode incluir o desmonte no local ou a remoção até estaleiros especializados. Por fim, é feita a destinação adequada dos materiais, com foco em reciclagem, reaproveitamento e descarte seguro dos resíduos. Cada uma dessas etapas demanda mão de obra qualificada, tecnologia específica e monitoramento contínuo, de modo a assegurar que o descomissionamento ocorra de forma segura, eficiente e ambientalmente responsável.

Figura 4. Desmonte de convés das plataformas para descomissionamento. Fonte: https://sinaval.org.br/2023/04/descomissionamento-de-plataformas-de-petroleo-vale-a-pena-para-industria-naval-e-petrolifera-do-brasil-ex-diretor-da-anp-explica/

 De acordo com projeções recentes da Petrobras e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Brasil deverá enfrentar um ciclo intenso de descomissionamento de plataformas nas próximas duas décadas. O plano estratégico da Petrobras 2025–2029 prevê a retirada de cerca de 10 unidades flutuantes até 2029, além de outras 58 plataformas programadas para descomissionamento após esse período. Paralelamente, dados da ANP indicam que mais de 60 plataformas fixas já ultrapassaram 25 anos de operação, atingindo o fim de sua vida produtiva. Considerando esses números e a participação de outras operadoras que também atuam em campos maduros, estima-se que entre 100 e 150 plataformas possam ser descomissionadas nos próximos 19 anos. Esse cenário reforça a importância de um planejamento técnico e ambiental rigoroso, que garanta a segurança das operações, o reaproveitamento de materiais e a redução dos impactos ambientais, promovendo uma transição sustentável para essa nova fase da indústria offshore brasileira.

Figura 5. Remoção para desmonte em terra de plataformas. Fonte: https://www.belov.com.br/o-estaleiro/estaleiro-de-reparos-e-descomissionamento/index.html

  Estima-se que o montante necessário para desmobilizar as plataformas ao longo dos próximos 19 anos seja bastante expressivo. Por exemplo, a Petrobras já havia estimado um gasto de US$6 bilhões para descomissionamento de plataformas e outros ativos até 2024. Mais recentemente, estudos apontam que o investimento projetado da Petrobras para o período 2024-2028 deve ultrapassar US$11,4 bilhões em descomissionamento. Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou garantias de R$72 bilhões da Petrobras para assegurar as obrigações de descomissionamento de 127 campos. Considerando que o total de plataformas estimadas para desmobilização está entre 100 e 150 unidades, esses valores sugerem que o custo total para os próximos 19 anos poderia facilmente alcançar alguns dezenas de bilhões de dólares, o que enfatiza a importância de planejamento financeiro, inovação logística e adoção de práticas sustentáveis para gerir esse passivo de forma adequada.

  O rigoroso processo de licenciamento ambiental das obras de risco ambiental preconiza seu acompanhamento desde o “berço até o tumulo”. Assim o descomissionamento das plataformas offshore é a etapa de fechamento mais importante pois garante a segurança futura da área do empreendimento. 

Escrito por Esther Almeida Brasil

Referências bibliográficas:

https://www.gov.br/anp/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/livros-e-revistas/arquivos/cadernodedescomissionamento.pdf 

https://www.gov.br/anp/pt-br/assuntos/exploracao-e-producao-de-oleo-e-gas/seguranca-operacional/arq/di/caderno_de_descomissionamento-aspectos-socio-economicos-fgv.pdf 

https://www.worldports.org/petrobras-plans-to-decommission-68-platforms-and-reuse-three-fpsos/?utm_source

https://www.gov.br/anp/pt-br/assuntos/exploracao-e-producao-de-oleo-e-gas/seguranca-operacional/arq/challengesdecommissioningoffshore.pdf?utm_source 

https://revistaoilegasbrasil.com.br/petrobras-estima-em-us6-bi-o-custo-de-descomissionamento-de-plataformas-ate-2024/?utm_source

https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2025/04/24/anp-aprova-garantias-da-petrobras-de-r72-bi-para-descomissionamento-de-127-campos.htm?utm_source

https://petrobras.com.br/en/sustentabilidade/descomissionamento-offshore?utm_source

https://www.mayerbrown.com/-/media/files/perspectives-events/publications/2022/05/brazil-energy-journal–may–abandonment-and-decommissioning.pdf?utm_source

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *