As baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) aparecem na costa brasileira entreos meses de junho e novembro. Nesse período elas chegam a ser uma atração à parte para os banhistas do litoral brasileiro. Elas migram das águas frias da região da Antártida em direção ao Brasil, em busca de águas mais quentes, onde podem se acasalar ou mesmo cuidar do nascimento dos filhotes.
Estas baleias conseguem atingir até 16 metros de comprimento e chegam a pesar cerca de 40 toneladas. As jubartes são facilmente identificáveis pela sua coloração quase negra do corpo e pelas grandes nadadeiras peitorais. As nadadeiras chegam a ter 1/3 do comprimento do corpo e são geralmente
brancas. A sua cauda, cuja face inferior possui padrões de coloração em branco e preto que são únicos para cada indivíduo, permite a sua identificação individual.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2022/11/28/tecnologia-
ajuda-no-monitoramento-de-baleias.ghtml
Esses mamíferos viajantes estão presentes em 3 oceanos do mundo: Atlântico, Pacífico e Índico. Existem populações tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul. Em cada hemisfério, estes enormes animais se dividem nas suas tradicionais rotas de migração nos oceanos. Pelo que se sabe até hoje, essas populações, entre o norte e o sul, não se misturam.
Elas migram de suas áreas de alimentação em altas latitudes, águas frias, onde se alimentam durante o verão, para as áreas de baixas latitudes, águas quentes, onde se reproduzem durante o inverno.
As estações do ano são opostas nos dois hemisférios. Assim, quando as jubartes do hemisfério sul estão em águas quentes, durante o período reprodutivo, as populações do hemisfério norte estão nas águas mais frias em atividades de alimentação.

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É no litoral brasileiro que anualmente as baleias-jubarte do hemisfério sul se reproduzem e nascem, sendo muitas delas de “nacionalidade brasileira”. Isso porque costumeiramente elas saem das águas frias da Antártida e nadam mais de 5 mil quilômetros rumo às águas quentes tropicais do Brasil. Normalmente elas chegam ao país em junho, ficando próximas da nossa costa até aproximadamente novembro, criando seus filhotes e se protegendo do inverno antártico.
Durante a época reprodutiva, a população brasileira de jubartes se distribuí originalmente do Rio Grande do Norte a São Paulo. Atualmente as baleias se concentram principalmente no Banco dos Abrolhos, extensão da plataforma continental recoberta por recifes de coral entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. O Brasil, que assinou o tratado de proteção internacional de proteção desses mamíferos, ajudou na recuperação populacional da espécie observada em anos mais recentes. Graças a isso tem se tornando mais frequente os avistamentos tanto ao norte como ao sul desta região. Desde a Bacia de Campos no Rio de Janeiro até o entorno de Ilhabela em São Paulo, litoral muito frequentado por turistas, o show que muitas vezes esses animais nos oferecem é um verdadeiro espetáculo de vida e de beleza. A área de alimentação principal das jubartes brasileiras se encontra no entorno das ilhas Geórgia do Sul na região antártica.

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Durante a temporada de alimentação, as Jubartes se concentram em acumular reservas de gordura para sustentar a si mesmas e poder amamentar seus filhotes durante a migração. Isso significa que a alimentação é uma parte essencial de seu ciclo de vida e influência diretamente o seu sucesso
reprodutivo e principalmente a sua sobrevivência.
As baleias jubarte possuem franjas de cerdas (semelhantes às escovas de dente, só que compridas e penduradas como cortinas dos dois lados do céu da boca) que utilizam para filtrar e segurar o alimento. Elas abrem sua enorme boca e avançam sobre cardumes de krill ou de pequenos peixes como as sardinhas, abocanhando-os junto com uma grande quantidade de água. A seguir, usam a língua para expelir a água e o alimento fica preso nas cerdas, sendo depois engolido. Muitas vezes as jubartes podem ser vistas colaborando umas com as outras nas áreas de alimentação, encurralando os cardumes de suas presas com cortinas de bolhas que sopram sob a água e depois subindo
até a superfície para apanhá-las.

Assim como todas as grandes baleias, as baleias-jubarte sofreram uma imensa predação pela caça comercial indiscriminada, que iniciou ainda no século XVIII e se estendeu até os anos 1960 no Hemisfério Sul. Estima-se que mais de 300.000 jubartes tenham sido mortas por essa prática predatória, até sua proibição pela Comissão Internacional da Baleia, em 1965. Além disso, por serem mamíferos aquáticos, mais especificamente mamíferos filtradores, as baleias são impactadas pela contaminação dos oceanos pela poluição. Os plásticos nos oceanos são uma grave ameaça. Esses materiais não só sufocam como matam os animais de fome, entupindo o sistema digestivo quando ingeridos. Os plásticos também contaminam toda a cadeia alimentar dos oceanos. O processo de decomposição dos plásticos inicia com a sua fragmentação em microplásticos causando enormes danos potenciais à saúde e à capacidade reprodutiva dos animais marinhos.
As grandes questões relacionadas à conservação das baleias e do ambiente marinho dependem fundamentalmente da adoção de políticas públicas, na forma de leis, normas e programas de ação por agências de governo. Entretanto, muitas vezes os governos e os organismos internacionais que são responsáveis por essas políticas dependem do aporte de informações técnico- científicas provenientes de instituições acadêmicas e ambientalistas para subsidiar a tomada de decisões. Acima de tudo, a preservação das baleias depende da conscientização e da participação de toda sociedade de forma permanente e atenta.
Escrito por Alice Thompson
Referências Bibliográficas:
https://www.baleiajubarte.org.br/a-baleia-jubarte
https://www.mundoecologia.com.br/animais/o-que-a-baleia-jubarte-come/
