As lesmas marinhas (Nudibranchia) são moluscos gastrópodes reconhecidos por sua diversidade em morfologia, comportamento e ecologia. Elas vivem em diversos ambientes oceânicos, desde águas rasas até regiões mais profundas, com destaque para os recifes de corais. Contudo o que chama mais atenção é o seu colorido exuberante.

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Essas criaturas são caracterizadas por não possuírem concha ou terem apenas uma concha interna reduzida. São hermafroditas e suas larvas podem se desenvolver a partir de massas de ovos fixas em substratos ou em forma livre. A estrutura e o padrão dessas massas de ovos ajudam na identificação de várias espécies de heterobrânquios, incluindo os grupos Cephalaspidea, Systellommatophora, Sacoglossa e Nudibranchia.

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No litoral do Paraná foram encontradas quatro novas espécies de lesmas marinhas:
Onchidella indolens, Bursatella leachii, Elísia Serca e Spurilla brasileira.

Fonte:https://www.researchgate.net/profile/Argyro-Zenetos/publication/237335739
A região é caracterizada por praias arenosas e poucas áreas rochosas, , formando diferentes habitats costeiros e estuarinos.As espécies foram registradas em ambientes específicos dentro dos sistemas estuarinos, com destaque para, Onchidella indolens e Bursatella leachii em locais específicos. Esses novos registros foram obtidos em habitats particulares, como costões rochosos com macroalgas, planícies de areia e lama, e cultivos de ostras. Segundo Ferreira-Jr, Carvalho, Christo e Absher (2015), esses registros ampliam o conhecimento sobre a distribuição dessas espécies, mas a fauna de heterobrânquios na região ainda é pouco estudada. Os autores destacam que Onchidella indolens e Elysia serca alimentam-se de macroalgas, enquanto Spurilla braziliana prefere briozoários e hidrozoários. Portanto, o estudo contribui para o mapeamento da distribuição das espécies, mas reforça a necessidade de novas investigações na região

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Dentre as várias espécies que se adaptaram ao consumo de corais moles, o gênero Tritonia se destaca de forma particular.

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Espécies como Tritonia sp.,v bem como Tritoniidae gen. nov. são especializadas na alimentação desses corais, o que impacta diretamente suas populações. Essa alimentação contribui para a regulação das populações de corais e, por consequência, afeta a estrutura e a composição dos recifes. Além disso, sua capacidade de se deslocar eficientemente nas correntes marinhas e de se camuflar entre os corais ou rochas proporciona vantagens tanto na busca por alimento quanto na proteção contra predadores.
Espécies como Bornela cf. johnsonorum, Lomanotus sp. e Melibe viridis ilustram adaptações alimentares fundamentais para sua sobrevivência e sucesso no ambiente marinho.

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Espécies como Bornela cf. johnsonorum, Lomanotus sp. e Melibe viridis ilustram
adaptações alimentares fundamentais para sua sobrevivência e sucesso no
ambiente marinho.

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Em função da capacidade de adaptação possui um corpo translúcido com manchas brancas, facilitando sua camuflagem entre hidróides, como corais e anêmonas, o que a ajuda a evitar predadores. Já a espécie Melibe viridis apresenta um mecanismo oral expansivo que lhe permite capturar plâncton e pequenos crustáceos, diversificando sua dieta e maximizando suas oportunidades alimentares em um ambiente de recursos limitados. Por outro lado, a espécie Lomanotus sp. com sua forma corporal peculiar, utiliza a adaptação para se proteger de predadores, influenciando tanto sua defesa quanto seu comportamento alimentar ao possibilitar que se esconda no fundo marinho.
Essas adaptações não apenas melhoram a sobrevivência de cada espécie, mas também contribuem para sua especialização ecológica, permitindo que desempenhem papéis específicos no ecossistema marinho e promovam uma interação complexa e equilibrada nos recifes de corais e outros ambientes aquáticos.

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As massas de ovos de diferentes espécies de lesmas marinhas apresentam características distintas que refletem suas adaptações reprodutivas e ambientais. Para a espécie Bursatella leachii, as massas de ovos são longas e têm um formato parecido com um coração (cordiforme). Essa morfologia pode ter evoluído para aumentar a proteção dos ovos e facilitar a dispersão das larvas, uma vez que cada cápsula contém várias larvas, aumentando as chances de sobrevivência das descendências.

Fonte:https://www.researchgate.net/publication/361615808/figure/fig3/
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Por outro lado, as massas de Spurilla brasileira e Elysia Serca têm uma forma espiral, o que é um padrão diferente das massas observadas em outras espécies da mesma região, como S. napolitana. Essa variação nas formas das massas de ovos pode estar relacionada às diferentes estratégias reprodutivas adotadas por cada espécie, que podem incluir fatores como o habitat onde os ovos são depositados, a proteção contra predadores e a otimização da sobrevivência das larvas. A diversidade na morfologia das massas de ovos é um exemplo de como as espécies se adaptam ao seu ambiente e às pressões ecológicas que enfrentam. Essa diversidade também é crítica para a compreensão das dinâmicas de reprodução e desenvolvimento das populações de lesmas marinhas.

Fonte:https://www.meerwasser-lexikon.de/imgHaupt/65530_5fec7df1d5d47.jpg
As lesmas marinhas também apresentam uma variedade de estratégias de defesa contra predadores. Muitas espécies, como as do gênero Dendronotus, utilizam substâncias químicas como mecanismo de proteção. Além disso, algumas lesmas, como Phyllidia ocellata, conseguem adquirir toxinas de águas vivas para reforçar suas defesas. Por outro lado, espécies como Favorinus mirabilis exibem comportamento predatório ao se alimentarem dos ovos de outros nudibrânquios, o que ajuda a regular a competição intraespecífica entre essas espécies.

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w=264&h=180&c=7&r=0&o=5&pid=1.7
Quanto à alimentação, Onchidella indolens e Elísia Serca se alimentam de macroalgas, comportamento também relatado em outras regiões. A Spurilla brasileira tem preferência alimentar por briozoários e hidrozoários que estão associados às conchas de ostras de cultivo, sugerindo a ocupação de diferentes nichos ecológicos por essas espécies no ecossistema marinho local. O gênero Cuthona, que inclui espécies como Cuthona sp. e Trinchesia yamasui, se alimenta de hidróides nos recifes de corais, exemplificando uma relação simbiótica entre as lesmas e seus alimentos.

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Essa interação é considerada um notável exemplo de coevolução, pois evidencia como duas espécies podem influenciar reciprocamente suas adaptações ao longo do tempo evolutivo, ressaltando a complexidade e a dinamicidade das relações ecológicas que ocorrem nos ecossistemas marinhos.

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As lesmas marinhas são organismos incrivelmente adaptáveis e desempenham papéis importantes nos ecossistemas oceânicos. Suas estratégias de alimentação, defesa e reprodução ajudam a equilibrar a vida marinha. O estudo dessas lesmas fornece informações valiosas sobre o funcionamento dos recifes de corais e a interação entre os seres vivos nesses ambientes. Por isso, pesquisas mais aprofundadas são fundamentais para entender melhor a dinâmica desses ecossistemas e contribuir para sua conservação.
Escrito por Gabrielle da Silva Castro
Referências bibliográficas
https://pdfs.semanticscholar.org/dd69/719a515713fd6ba308e442fb5e5ca9b6d41e.pdf
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0044848613002524
https://repositorio.usp.br/item/002982758
