Os nudibrânquios são da mesma classe que as lesmas marinhas, mas possuem suas brânquias expostas, o que os separam nesse grupo. Eles são moluscos sem concha, o que dá impressão de serem muito vulneráveis à predação. Entretanto, o que ocorre é o oposto. Esses organismos marinhos são muito bem equipados contra predadores, possuindo defesas químicas, como secreção tóxica e células que queimam. Porém, eles avisam que são perigosos através da sua coloração de advertência. Sua defesa também se dá na incorporação de toxinas que foram adquiridas a partir dos alimentos que ingere.

Esses seres podem ser encontrados por todo o globo, desde as águas mais rasas às mais profundas. Porém, eles estão majoritariamente concentrados em águas rasas nos trópicos, preferencialmente em ambientes recifais. Dessa forma, aqueles que se movimentam para alimentação durante a luz do dia ficam mais expostos, o que chama a atenção dos predadores. Contudo, por possuírem uma vantagem admirável através da sua cor intensa e variada, conseguem alertar quem tenta chegar perto.

Em razão dessa cor marcante que possuem, os nudibrânquios também podem ser comumente chamados de “borboletas do mar”. Dessa forma, quem arrisca se alimentar desses seres aprende a evitar esses padrões cromáticos dos nudibrânquios, que anunciam como uma “carne desagradável”. Essa adaptação é essencial para sua sobrevivência, visto que conseguem alertar e afastar predadores. Outrossim, os animais que são capazes de imitar esses padrões de cores também não são incomodados.
Os nudibrânquios que possuem hábitos noturnos já possuem um padrão cromático diferente. Eles dão preferência para a camuflagem, optando por tons pardacentos a brilhantes, diferente do contraste dos que possuem hábitos diurnos. O motivo dessa coloração possui relação com as esponjas e outros substratos que eles são encontrados e dessa forma que podem passar despercebidos.

Entretanto, essas vantagens não os impedem de serem predados. Mesmo sendo poucos, alguns crustáceos e aranhas-do-mar são exemplos de devoradores dos nudibrânquios. Algumas espécies de picnogônidos (aranha-do-mar) são predadoras, mas também há espécies parasitas. Mesmo essas interações serem pouco estudadas, em um artigo de Sales et al. (2021), foi identificado o nudibrânquio Spurilla braziliana como presa do comparativamente pequeno picnogônido Pigrogromitus timsanus, que, até então, nunca havia sido visto alimentando-se de moluscos.

Portanto, apesar de parecerem vulneráveis e suscetíveis à predação constante, a evolução com o passar dos anos foi fundamental para os nudibrânquios se adaptarem e não serem extintos. Ao aprender sobre essas espécies, é importante ensinar a proteger e a incentivar a pesquisa, de forma que, com conhecimento, seja possível respeitá-las e preservá-las. Isso sem deixar de falar da beleza que esses organismos conferem aos recifes marinhos.
Escrito por: Erica F. Dias
Referências bibliográficas:
- Doubilet, D. As cores vivas dos Nudibrânquios. Disponível em: <https://www.nationalgeographic.pt/meio-ambiente/as-cores-vivas-dos-nudibranquios_1595 >.
- Oliveira, Licia Sales; Araújo, Vinicius Queiroz; Lucena, Rudá A.; Migotto, Alvaro Esteves. An unprecedented observation of the nudibranch Spurilla braziliana (Gastropoda: Aeolidiidae) as a food resource of the pycnogonid Pigrogromitus timsanus (Arthropoda: Ascorhynchoidea). The Nautilus, v. 135, n. 1, p. 32-34, 2021.
- Nenhuma defesa é 100% eficaz: micropredação do nudibrânquio Spurilla braziliana pela aranha-do-mar Pigrogromitus timsanus. Disponível em: <http://noticias.cebimar.usp.br/pt/acervo-e-comunicacao/divulgacao-e-educacao-cientifica/artigos/1858-nenhuma-defesa-e-100-eficaz-micropredacao-do-nudibranquio-spurilla-braziliana-pela-aranha-do-mar-pigrogromitus-timsanus >.
- Oliveira, Licia Sales. Nudibrânquios, os musos do mar. Bate-Papo com Netuno, 25 fev. 2021. Disponível em: <https://www.batepapocomnetuno.com/post/nudibrânquios-os-musos-do-mar >.
