Esses animais pertencem à ordem Lophiiformes, que representa um grupo de dezoito famílias de peixes marinhos que exibem uma morfologia geral específica, incluindo várias estruturas usadas em métodos de alimentação e estratégias de caça. O gênero lophiiforme Ogcocephalus inclui 13 espécies conhecidas como peixes-morcego, peixe-diabo ou peixe-sapo e que vivem em águas tropicais e subtropicais. Conseguem atingir comprimentos de até 40 cm e têm nadadeiras peitorais e pélvicas adaptadas para locomoção especializada em substratos no leito marinho.

Ref. https://issuu.com/joicianesantos/docs/trabalho_finall/s/12231924
O peixe-morcego brasileiro, Ogcocephalus vespertilio, é uma espécie comum em águas costeiras rasas da região tropical e subtropical do Atlântico Sul. Sua dieta é composta principalmente de pequenos crustáceos, e é questionado se o uso do illicium (protuberância do focinho) é eficaz para atrair presas. Esses animais são organismos de pequeno porte que vivem no leito marinho e utilizam as nadadeiras peitorais e pélvicas modificadas para se movimentar pelo fundo. Esse peixe tem imagem bizarra por apresentar um formato triangular e achatado. Contudo sua carne é delicada e é muito apreciada em restaurantes especializados.

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Existem vários tipos de peixe-morcego, com características diferenciadas. Alguns apresentam a cabeça larga e achatada, com o corpo fino coberto de espinhos, além da peculiar adaptação das nadadeiras que imitam membros, permitindo que ‘caminhem’ no fundo do mar. Outros têm o focinho arrebitado, e os espinhos duros ajudam na defesa e na camuflagem. Geralmente, a pele é coberta de caroços duros, espinhos ou tubérculos. Algumas espécies possuem escamas com aparência semelhante a armadura. Essas espécies apresentam diversidade de cores, que são usadas para camuflagem no fundo do oceano. Alguns desses peixes possuem uma estrutura na frente do corpo que pode parecer uma vara de pesca. Isso se deve ao fato de que eles têm uma espécie de ‘focinho’ ou ‘projeção’, em forma de extensão da mandíbula, que usam para tocar e caçar no fundo do mar, como se fosse uma ‘vara de pesca’.

Em uma pesquisa realizada por Nagareda e Shenker (2009), descobriu-se que a “esca” que é uma estrutura presente na ponta do illicium (nariz de atração) do peixe-morcego de bolinhas (Ogocephalus cubrifrons) e que secreta um composto químico que atrai caracóis e lesmas do mar .Na busca por alimento, os peixes-morcego empregam duas estratégias de locomoção: uma lenta e outra rápida, semelhante a um salto. Quando imóveis, utilizam sua coloração ideal para se camuflar no substrato arenoso e esperar por presas. Os peixes-morcego utilizam seu nariz longo para atrair presas, detectando e se aproximando lentamente delas com o auxílio de suas nadadeiras pélvicas e peitorais.

Ref: https://alem-da-curiosidade.blogspot.com/2016/02/peixe-morcego.html
Similarmente, o peixe O. vespertilio, que habita na costa brasileira, também apresenta estratégias adaptativas, possivelmente relacionadas a fatores ambientais, como a temperatura da água, que podem influenciar sua forma corporal e distribuição geográfica. Um estudo realizado com o O. vespertilio (Cavalcanti & Lopes, 1998) sobre a sua distribuição geográfica, indicou que populações do Nordeste e Sudeste do Brasil possuem características morfométricas distintas, com destaque para a largura da cavidade do ilício e a distância do ânus à nadadeira anal. Essa diferenciação sugere a existência de adaptações à variação ambiental, possivelmente influenciada pela temperatura da água. Assim, como os peixes-morcego de bolinhas utilizam suas características anatômicas para atrair presas, O. vespertilio pode também usar variações em sua anatomia para se adaptar e sobreviver em diferentes condições ambientais ao longo da costa brasileira.

Ref.https://biofaces.com/specie/5695/ogcocephalus-vespertilio/
Da mesma forma, peixes-morcego orbiculares presentes em águas profundas, caracterizados por temperaturas mais baixas e de maior salinidade, exibem um índice corporal significativamente mais baixo, com uma maior concentração de proteínas e colágeno na carne e pele. Essas alterações podem ser interpretadas como uma adaptação ao ambiente de águas mais frias e salinas, que demandam mais energia para a manutenção do metabolismo e do crescimento. Além disso, as modificações bioquímicas são associadas a uma maior concentração de colágeno, que possui propriedades funcionais, como a retenção de água e a capacidade de ligação ao óleo, que podem ser vantajosas em ambientes de águas profundas, ricos em minerais essenciais.

Ref: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/peixe-morcego%20orbicular/
Assim como O. vespertilio utiliza suas características anatômicas para se adaptar às variações de temperatura e condições ambientais ao longo da costa brasileira, Platax orbicularis ajusta suas propriedades bioquímicas e físicas, como a quantidade de colágeno e o teor de lipídios, para se adequar às condições ambientais mais extremas das águas profundas. Essas estratégias adaptativas são essenciais para a sobrevivência e desenvolvimento da espécie em diferentes habitats, ilustrando como a morfologia e a bioquímica do peixe-morcego podem se ajustar conforme as variações do ambiente.

Ref:https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ogcocephalus_vespertilio_%28Rio_de_Janeiro,_Brazil,_7_July_1865%29_%28cropped%29.jpg
A análise das adaptações morfológicas e bioquímicas das espécies de peixes-morcego, como O. vespertilio e Platax orbicularis, revela a impressionante capacidade desses organismos de se ajustarem a diferentes condições ambientais. Enquanto O. vespertilio apresenta adaptações morfológicas para caçar e sobreviver nas águas costeiras tropicais e subtropicais, o Platax orbicularis desenvolve características bioquímicas que são vantajosas para viver em águas profundas, com temperaturas mais baixas e maior salinidade. Essas adaptações não só garantem a sobrevivência das espécies, mas também têm implicações importantes para áreas como a aquicultura e a conservação marinha. O entendimento dessas estratégias adaptativas pode, assim, fornecer informações valiosas para o manejo sustentável e a proteção de ecossistemas marinhos, além de contribuir para a inovação de práticas em ambientes aquáticos controlados. Portanto, o estudo das adaptações dos peixes-morcego representa uma chave importante para o aprimoramento das estratégias de conservação e o desenvolvimento de técnicas de aquicultura.

Autora: Gabrielle Da Silva Castro
Referências Bibliográficas:
https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/8184/2/Luana_Gila_Andrade.pdf
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0044848616306202
https://www.scielo.br/j/ocr/a/cYd7NJ3bL3jVLhvzHgPxZvm/?format=pdf
https://www.scielo.br/j/rbzool/a/nmt8PRWw8ShhLy3jZM7WfTj/?format=pdf&lang=pt
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10942912.2018.1476873#d1e314