Rodolitos: As Pipocas do Mar

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Apesar dos recifes de coral exercerem um papel importante no meio ambiente e ser muito pesquisado, há outro ecossistema pouco conhecido, se comparado com os famosos corais, que são os bancos de rodolitos. Com um olhar menos atento, os rodolitos podem parecer como uma “pipoca”.  

Figura 1: Amostra de Rodolito e sua semelhança com a pipoca. Fonte: https://radiosintonia.com/la-importancia-de-no-llevarse-los-rodolitos/

A origem do termo, rodolitos, vem da palavra rodófitas (algas vermelhas), somada com oolito (nódulos). A formação dos nódulos é realizada pelas algas vermelhas que conseguem acumular carbonato de cálcio em suas paredes deixando-as duras. As algas calcárias se fixam normalmente sobre substratos duros como conchas, rochas e até cascos de tartarugas. Quando a alga se desprende, seus pedaços podem crescer envolvendo também outros fragmentos, como grãos de areia formando verdadeiros aglomerados similares as “pipocas”. Dessa maneira, para ser considerado um rodolito, é necessário que tenha mais de 50% de alga calcária embutida nesses nódulos. 

Uma curiosidade dos rodolitos, vulgarmente chamados de rochas vivas, é a sua capacidade de se tornar um substrato consolidado. Assim esse nódulo também se torna ideal para a fixação de outras algas em um ambiente (leito marinho) onde o substrato é predominantemente inconsolidado (arenoso). Esta característica nodular favorece a produtividade dessas áreas em que naturalmente não apresentam condições tão favoráveis para a fixação e o desenvolvimento de colônias orgânicas. A formação desses oásis orgânicos no meio do oceano proporcionam um importante serviço ecossistêmico.

Figura 2: Depósito de rodolito no leito marinho forma um ecossistema único. Fonte: https://oeco.org.br/analises/rodolitos-os-desconhecidos-recifes-rolling-stones/

De acordo com a pesquisadora Marina Nasri Sissini, essas algas calcárias são as maiores formadoras de recifes do Atlântico sudoeste e principal construtora do único atol do Brasil conhecido, o atol das Rocas. Esta formação é notória por ser uma reserva biológica marinha permanente além de ser berçário da vida marinha no meio do oceano Atlântico. O atol das Rocas é reconhecido como a maior colônia reprodutiva de aves marinhas tropicais do Atlântico Sul. Inclusive, o Atol das Rocas é uma reserva natural marinha protegida por lei e único atol existente no Oceano Atlântico Sul.

Figura 3: Atol das Rocas. Santuário marinho de preservação permanente. Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/03/maurizelia-de-brito-atol-das-rocas-conheca-a-guardia-do-unico-atol-do-atlantico-sul

Inúmeros são os serviços ambientais realizados pelos bancos de rodolitos. Dentre os principais, o sequestro de carbono, tanto pelas algas calcárias quanto por outras algas que podem se fixar na estrutura dura provinda dos rodolitos. Essa importante propriedade contribui de modo significativo para o balanceamento climático. Além disso, os bancos de rodolitos possuem grande participação nas formações de recifes de corais. Estes servem como berçários para diversos animais marinhos e colaboram com a pesca, turismo e outras atividades humanas, conforme demonstram os serviços ecossistêmicos que esse ambiente pode proporcionar.

Figura 4: Bancos de algas calcáreas encontram-se espalhados pelo litoral brasileiro. Fonte: https://agencia.fapesp.br/diversidade-de-algas-calcarias-no-brasil-e-maior-do-que-o-esperado-e-ainda-pode-aumentar/37868

Como citado anteriormente, é fundamental ter em mente a importância dessas algas calcárias na regulação do clima pois estas funcionam como um sumidouro de gás carbônico. Assim, ao promover a absorção do carbono disponível na atmosfera, os rodolitos aproveitam não só como fonte de energia, mas contribuem principalmente com a diminuição do impacto provocado pela acidificação dos oceanos pela redução dos gases nocivos. Portanto os bancos de rodolitos são um ecossistema que oferece um grande benefício para a biodiversidade e o clima. Além disso, promovem a pesca artesanal, disponibilizam matéria prima (calcáreo) para produção de  adubos e corretivos agrícolas, e mesmo cenários naturais para o turismo marinho.

Muito desconhecimento ainda envolve os bancos de rodolitos. Pesquisas mais aprofundadas devem ser realizadas para poder descobrir todo potencial de serviços e produtos que a humanidade pode se beneficiar desse ecossistema marinho. Isso sem citar que ainda não se tem com a devida precisão, o mapeamento da cobertura de rodolitos na Amazônia Azul do Brasil.

Figura 5: Mapeamento de áreas de proteção marinha da costa brasileira. Fonte: https://sustentabilidadenoar.com.br/novo-estudo-sobre-ameacas-a-biodiversidade-marinha-mapeia-areas-prioritarias-para-conservacao-no-brasil/

Escrito por: Erica F. Dias 

Referências bibliográficas : 

 https://agencia.fapesp.br/diversidade-de-algas-calcarias-no-brasil-e-maior-do-que-o-esperado-e-ainda-pode-aumentar/37868 

https://www.batepapocomnetuno.com/post/rodolitos-like-a-rolling-stone 

https://jornal.usp.br/atualidades/bancos-de-rodolitos-sao-pouco-conhecidos-mas-vitais-para-o-planeta/ 

Globo Repórter | Atol Das Rocas, O Único Atol Do Atlântico Sul, é Um Dos Lugares Mais Isolados Do Planeta | Globoplay.” Globoplay, 2022, globoplay.globo.com/v/10446674/  .

https://ufsb.edu.br/ufsb-ciencia/2785-artigo-na-nature-destaca-importancia-dos-bancos-de-rodolitos-tropicais-a-partir-de-pesquisa-em-abrolhos 

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