A Elevação do Rio Grande (ERG) é um extenso planalto submarino situado no Atlântico Sul, á aproximadamente 1.500 km de distância a sudeste da costa brasileira, abrangendo uma área de cerca de 900.000 km² e com profundidades que variam entre 600 a 4.000 metros.
Considera-se praticamente como uma continuação da plataforma continental brasileira, a ERG é um conjunto de montanhas e cânions que se estivessem emersos formariam uma paisagem impressionante. Seu relevo é marcado por fendas profundas e picos com mais de 4 mil metros de altura. O Pico da Neblina, a maior montanha do Brasil, comparativamente não chega a 3 mil metros. Atualmente todas essas estruturas estão completamente submersas, assentadas sobre um assoalho marinho de 5 mil metros de profundidade. Um viajante que pudesse retroceder no tempo veria uma paisagem completamente diferente ao navegar por ali no meio do Eoceno, entre 50 e 40 milhões de anos atrás. Suspeita-se que nesse período a elevação de Rio Grande seria uma ilha emersa.

Pesquisas preliminares realizadas desde a década de 1970 revelaram que a ERG possui depósitos de minerais valiosos, como cobalto, níquel, platina, manganês e terras raras. Esses recursos despertam interesse econômico e estratégico, especialmente considerando a crescente demanda por esses materiais na indústria digital. A Economia Azul será o próximo desafio do nosso país.
Em 2004, o Brasil apresentou à Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU uma proposta para estender sua plataforma continental, que ainda está em análise. Uma década depois, em 2014, o país recebeu autorização da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos para continuar os estudos na área por um período de 15 anos. O objetivo principal é realizar um levantamento geológico detalhado para avaliar o potencial de riquezas minerais na região e quem sabe incorporar ao domínio da Zona Econômica Exclusiva do Brasil.

Considerada por muitos como o “pré-sal da mineração”, a área tem atraído grande interesse e as descobertas recentes confirmaram o seu valor. Pesquisas conduzidas pela Universidade de São Paulo-USP revelaram a existência de uma enorme jazida mineral no fundo do mar. Desta forma pode ser considerada como um verdadeiro “tesouro submarino”, consolidando assim a importância econômica e estratégica dessa formação geológica.

Recentes descobertas lideradas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelaram que a Elevação do Rio Grande foi uma grande ilha tropical entre 45 e 40 milhões de anos atrás. Rica em vegetação e minerais, a região é composta por montanhas submarinas que cobrem uma área equivalente ao território da Espanha.
O estudo, publicado na revista Scientific Reports, é resultado de quase dez anos de trabalho e traz informações detalhadas sobre a geologia local. Pesquisadores analisaram argilas vermelhas ricas em minerais típicos de alterações tropicais em rochas vulcânicas, como caulinita, magnetita e hematita. Essas amostras foram coletadas a cerca de 650 metros de profundidade durante expedições realizadas com os navios de pesquisa Alpha Crucis (USP) e Discovery (Reino Unido), uma parceria entre o Instituto Oceanográfico (IO) da USP e a University of Southampton, com apoio da FAPESP.

O estudo confirmou que a Elevação do Rio Grande foi uma ilha tropical emersa no passado, formada em condições quentes e úmidas após atividades vulcânicas que ocorreram há aproximadamente 45 milhões de anos. As análises indicam que o solo tropical encontrado na região era semelhante à terra vermelha do interior de São Paulo, resultante de um intenso intemperismo químico.
Os cientistas utilizaram tecnologias avançadas, como veículos submarinos autônomos (AUV) operados remotamente (ROV) para mapear o fundo do mar com alta precisão, coletando amostras, imagens e dados magnéticos. A colaboração com o National Oceanography Centre (NOC), do Reino Unido, foi fundamental já que o Brasil ainda não possuia equipamentos capazes de atingir essas profundidades abissais.

Além da relevância científica, os achados têm implicações estratégicas. A região, que está em processo de reconhecimento como parte da plataforma continental brasileira, é rica em minérios como cobalto, níquel, lítio e terras-raras, fundamentais para ter acesso a tecnologias de energia limpa e de alta eficiência. Contudo os pesquisadores destacam que estudos preliminares têm uma importância ainda maior, de compreender os serviços ecossistêmicos da ERG visando avaliar os impactos ambientais de uma possível exploração sem o devido cuidado. Tal risco pode redundar em danos irreversíveis num ecossistema de demorou milhões de anos para se formar
A pesquisa também enfatiza a necessidade da preservação e da sustentabilidade da sua exploração, ressaltando que qualquer intervenção deve ser precedida por estudos aprofundados sobre os efeitos colaterais no ecossistema marinho, incluindo corais, fungos e outros organismos. Somente assim será possível equilibrar a exploração dos recursos com a conservação ambiental para o aproveitamento das futuras gerações. Nesse sentido, investimentos na formação de recursos humanos e o desenvolvimento de novas tecnologias exploratórias seguras devem ser implementadas antes do início da exploração em larga escala.
A experiência até então adquirida representa um avanço significativo para a ciência brasileira e reforçam a importância de parcerias internacionais em estudos complexos, multidisciplinares e que visem a sustentabilidade dos recursos naturais marinhos.
Escrito por Alice Thompson
Referências Bibliográficas:
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Eleva%C3%A7%C3%A3o_do_Rio_Grande
https://marsemfim.com.br/jazidas-minerais-encontradas-na-elevacao-do-rio-grande/ Por João Lara Mesquita 17 de maio de 2021.
https://agencia.fapesp.br/estudo-revela-que-elevacao-do-rio-grande-era-gigantesca-ilha-tropical-proxima-ao-brasil-e-rica-em-minerio/ Por Luciana Constantino | Agencia FAPESP 17 de novembro de 2023.