Satélites Observando o Oceano

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Os oceanos cobrem cerca de 70% do planeta e são responsáveis por processos importantes que garantem a vida na Terra. As correntes oceânicas são responsáveis pela distribuição de calor e nutrientes por todo o globo. Como consequência,  também contribuem para a regulação da temperatura e influenciam nos padrões climáticos. Além disso, os oceanos são responsáveis por atenuar os efeitos do aquecimento global ao absorver o dióxido de carbono atmosférico, um gás que promove o efeito estufa. Somado ao movimento das correntes oceânicas, que transportam o calor acumulado nas regiões tropicais e transferem para as altas latitudes (regiões temperadas e polares), visando equilibrar a distribuição desigual de calor na Terra. Assim, com tantos processos a serem observados, um monitoramento avançado pode ajudar a identificar as mudanças oceânicas e analisar as possíveis tendências climáticas. 

Figura 1: Satélite com sensores. Fonte: https://olhardigital.com.br/2024/09/16/ciencia-e-espaco/como-e-feita-a-manutencao-de-um-satelite-em-orbita/

O sensoriamento remoto possibilita obter informação sobre um objeto ou área sem que seja necessário fazer contato físico com ele, ou seja, consegue extrair dados a partir de certa distância. Dessa maneira, os satélites são ferramentas excelentes por serem capazes de cobrir uma área muito maior e fornecer milhares de informações periodicamente, e toda vez que passarem no mesmo local na sua trajetória circular em volta do planeta. Dentre os dados relevantes, estão a cor, a temperatura e o nível da superfície do mar. As imagens de satélite possibilitam compor um conjunto de imagens sucessivas de mapas que mostram a variação de temperatura ao longo do tempo e a mudança do nível do mar. Da mesma forma, torna possível mapear acidentes do relevo como recifes de corais bem como os recortes da morfologia do litoral dos continentes.

Figura 2: uma simulação de temperaturas da superfície do mar do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos . Fonte: https://oceanservice-noaa-gov.translate.goog/facts/satellites-ocean.html?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc

Com o avanço da tecnologia, o monitoramento tem sido cada vez mais eficiente. No dia 08 de fevereiro de 2024, a NASA (órgão do governo federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e exploração aeroespacial) lançou o satélite PACE ( Phytoplancton, Aerosol, Cloud e Ocean Ecosystem). A diferença desse para outros satélites é que o PACE consegue detectar a luz refletida pelo oceano em um intervalo de cor muito menor, resultando em maior detalhamento sobre o que está sendo analisado. Além desse satélite, existe outro que permite enxergar o fundo do mar pelo espaço. Trata-se do satélite SWOT (Surface Water and Ocean Topography). Todo esse avanço tecnológico aconteceu nos últimos 35 anos decorrente da disputa da corrida espacial.

Portanto, a tecnologia espacial para explorar outros planetas e estrelas está ajudando a desvendar os segredos dos oceanos do nosso planeta. Através do avanço da tecnologia aeroespacial, é possível mapear o fundo do mar e entender a dinâmica de distribuição do calor realizada pelas correntes superficiais dos oceanos no planeta.

Figura 3: Imagem da NASA mostra fundo do mar direto de satélite do espaço. Fonte: https://cbn.globo.com/mundo/noticia/2025/03/20/satelite-da-nasa-permite-mostrar-fundo-do-mar-direto-do-espaco-veja-video.ghtml

Assim, é possível entender e reconhecer como os oceanos possuem um papel fundamental para a vida no planeta. Eles que distribuem o calor pela Terra a partir das correntes oceânicas, assim como são capazes de mitigar os efeitos das mudanças climáticas ao absorver grande parte do calor produzido pelo gás carbônico da atmosfera. O monitoramento avançado por satélites auxilia a entender e proteger os processos que ocorrem nos oceanos. Possibilita estudos abrangentes realizados com a análise de dados na escala planetária fornecidos por satélites artificiais. Dessa forma, essa capacidade de observar os oceanos do espaço de forma ampla nos ajuda a identificar as mudanças climáticas e os processos oceânicos, como também a entender as suas consequências. A mesma tecnologia que nos ajuda a olhar para fora, o universo, está conseguindo desvendar os mistérios do nosso próprio planeta quando olhamos na direção contrária, para dentro. 

De que adianta conhecer o universo se ainda não conhecemos a nossa própria casa?

Caso você leitor, estudante, pesquisador ou educador — tenha se interessado por esse fascinante encontro entre a tecnologia e o oceano, o livro O Mar Visto do Espaço” é uma leitura indispensável. Com a organização de David Zee, coordenador do projeto Olhar Oceanográfico”, e de Milton Kampel, a obra apresenta uma perspectiva única sobre o litoral e o mar brasileiro, reunindo uma impressionante e atual coletânea de imagens de satélite que revelam detalhes surpreendentes do nosso ambiente marinho.

Escrito por: Erica F. Dias 

Referências bibliográficas: 

https://marine.copernicus.eu/pt/explainers/operational-oceanography/monitoring-forecasting/satellites 

https://pace-gsfc-nasa-gov.translate.goog/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc 

https://oceanservice-noaa-gov.translate.goog/facts/satellites-ocean.html?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc 

https://cbn.globo.com/mundo/noticia/2025/03/20/satelite-da-nasa-permite-mostrar-fundo-do-mar-direto-do-espaco-veja-video.ghtml 

http://noticias.cebimar.usp.br/pt/acervo-e-comunicacao/divulgacao-e-educacao-cientifica/artigos/2058-conheca-o-pace-novo-satelite-auxiliara-nos-estudos-sobre-as-mudancas-climaticas-no-oceano 

Zee,D.M.W.; Kampel,M. (Org). O mar visto do espaço. Andrea Jakobsson Estudio Editorial Ltda., 2023. 175p.

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